Milton Nascimento

26 26+00:00 setembro 26+00:00 2012
Milton Nascimento

1942
Aos dois anos de idade, Milton já martelava um piano na casa de seus avós. Logo depois ganhou uma sanfoninha de 2 baixos, que foi seu primeiro instrumento.

1944
Com a morte da mãe, Maria do Carmo, Milton vai morar com a avó biológica em Juiz de Fora. Não se adapta e passa parte do dia sentado na calçada, à espera de rever alguém da sua antiga casa.

1945

Após se casar e mudar para Três Pontas, Lília, filha de sua madrinha e que se tornaria mãe adotiva de Milton, sente que algo não vai bem com ele.
Conversa com o marido Josino, com os pais Augusta e Edgard, e, então, o jovem casal vai a Juiz de Fora pedir à avó que o deixe morar com eles. Num trem de ferro a nova família, Milton, Lília e Josino, segue para Três Pontas.

1950
Antes de completar sete anos ganha uma gaita e uma sanfona de quatro baixos. Passa horas sentado na varanda de casa, tocando os dois instrumentos ao mesmo tempo, com ajuda dos joelhos para segurar a gaita. Como a sanfona é precária, completa as notas que faltam com o som da voz.

1955
Seu primeiro violão, aos 13 anos, foi um presente endereçado à mãe que ele recebeu em casa na ausência da mesma e que, da porta, foi direto para o seu quarto. Nessa época faz amizade com Wagner Tiso e forma com ele o “Luar de Prata”, seu primeiro conjunto musical.

1960
O “Luar de Prata” evolui para “Milton Nascimento e seu Conjunto”, com o qual se apresenta em  várias cidades da região. Com outros amigos a dupla Milton e Wagner forma o grupo “W”s Boys”.

O grupo faz tanto sucesso que os dois são convidados para integrar o “Conjunto Holliday”, em Belo Horizonte, com o qual grava o compacto “Barulho de Trem”.

1963
Muda-se definitivamente para Belo Horizonte e se instala em uma pensão do Edifício Levy, onde conhece a família Borges. Além do “Holliday”, integra o conjunto de bailes “Célio Balona”.

1964
Monta com Wagner Tiso e Paulinho Braga o “Berimbau Trio”, onde estréia como contrabaixista. Entre as apresentações do Berimbau Trio compõe pela primeira vez, e não pára mais. Ainda nesse período, grava o elepê “Quarteto Samba-cana”, com Pacífico Mascarenhas.

1966
Participa do Festival Berimbau de Ouro, em São Paulo, defendendo “Cidade Vazia”, de Baden Powell e Lula Freire. Tem sua primeira música gravada pelo conjunto Tempo Trio, a instrumental “E a gente sonhando”. No mesmo ano, Elis Regina grava “Canção do Sal”.

Morando em SP, Milton vai com o pianista Adilson Godoy a um centro espírita no dia de São Cosme e Damião, quando é avisado de uma reviravolta na sua vida em pouco tempo.

1967
Contrariado com o clima competitivo dos festivais, decide nunca mais participar de um, mas em 1967 conhece Agostinho dos Santos durante uma de suas apresen-tações em um bar da capital paulista. Agostinho, a pretexto de gravar em seu próprio disco, pede a Milton uma fita com três músicas e as inscreve no Festival Internacional da Canção. As três são classificadas, Milton é eleito melhor intérprete e uma delas, “Travessia”, fica em segundo lugar, tornando-se uma das músicas mais conhecidas e gravadas de Milton, no Brasil e no exterior.

Logo após o FIC grava o primeiro disco solo, com participação do Tamba Trio.No programa “As melhores músicas brasileiras do século XX”, da Rede Globo de Televisão “Travessia” ficou em 7º lugar, sendo Milton e Fernando Brant os únicos compositores vivos entre os autores das 10 finalistas.

1968
Lança o segundo disco solo, nos Estados Unidos. Com arranjos de Eumir Deodato e participação de Herbie Hancock, “Courage” dá início a sua carreira internacional, tendo em seu repertório músicas como “Outubro” e “Vera Cruz”.

No ano seguinte grava o disco “Milton Nascimento”, com as músicas que se tornaram grandes sucessos “Beco do Mota” e “Pai Grande”.

1970
Sai seu terceiro álbum no Brasil, “Milton”, com o Som Imaginário.

1972
Com quatro discos já lançados (“Travessia”, “Courage”, “Milton Nascimento” e “Milton e ah, o Som imaginário”) grava o “Clube da Esquina”, que batiza um dos maiores e mais importantes movimentos da Música Popular Brasileira. As músicas têm arranjos para orquestra de Eumir Deodato e Wagner Tiso, em sua estréia como orquestrador.

O disco é dividido com Lô Borges. Nas três décadas seguintes, Milton leva o Clube, que reunia talentos como Lô Borges, Tavinho Moura, Beto Guedes e Toninho Horta, de Belo Horizonte para o mundo.

1973
“Milagre dos Peixes”, seu sexto disco, tem quase todas as letras censuradas. No ano seguinte lança “Milagre dos Peixes ao Vivo”, gravado no Teatro Municipal de São Paulo com a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, arranjos de Wagner Tiso, Paulo Moura e Radamés Gnatalli, e regência de Paulo Moura.

Foi o primeiro disco de música popular gravado com orquestra sinfônica.

Perseguido pela ditadura passa a fazer shows promovidos por DCEs de faculdades.

1974
Grava com Wayne Shorter, nos Estados Unidos, o disco “Native Dancer”. Durante toda a sua carreira trabalha com vários músicos, cantores e compositores de todo o mundo, em especial Pat Metheny, Herbie Hancock, Ron Carter, Mercedes Sosa, Fito Paez, Hubert Laws, Peter Gabriel, James Taylor, Sting, Paul Simon, Jon Andersen (Yes), Duran, Duran.

Maurice White, do grupo “Earth, Wind and Fire” declarou que tanto as músicas quanto o conjunto foram inspirados nos falsetes de Milton Nascimento.”

1975
Lança o disco “Minas”, com músicas que estouram nas paradas de sucesso como “Fé cega, faca amolada”, “Ponta de Areia” e “Paula e Bebeto”.

O disco tem a participação do pianista Tenório Júnior, morto no ano seguinte na Argentina.Milton fica sabendo que o disco “Minas” assume o primeiro lugar das paradas de sucesso da Austrália, à frente dos Beatles.

1976
Grava “Geraes”, uma continuação de “Minas”, mas apresentando fortes traços da música da América Latina, com participações do grupo chileno Água e da argentina Mercedes Sosa. “Geraes” é um dos discos mais vendidos do ano, com filas nas lojas antes mesmo de abrirem as portas.

Ainda em 1976 compõe e interpreta a trilha para o ballet “Maria Maria”, que marca a estréia do grupo Corpo, no Brasil e no exterior.

1978
Após seis anos do “Clube da Esquina”, faz um segundo álbum duplo, batizado de “Clube da Esquina Dois”, com participação de Flávio Venturini, Boca Livre, Chico Buarque, Elis Regina, César Camargo, Joyce, Francis Hime, Olívia Hime, Beto Guedes, Danilo Caymmi, Paulo Jobim, Luiz Gonzaga Júnior, Nelson Ângelo, Toninho Horta, Lô Borges, Wagner Tiso, muitos outros mais.

1980
Compõe a trilha para o segundo espetáculo do Corpo, “Último Trem”. No mesmo ano lança “Sentinela” e embarca para a primeira turnê européia, com shows na Suíça, Portugal e França, onde se apresenta por dez dias no Théâtre de la Ville, em Paris, sempre com a casa lotada.

1982
Encena pela primeira vez em Recife a “Missa dos Quilombos” – uma missa musicada por ele e apresentada com banda, coro e bailarinos e padres em homenagem ao Zumbi dos Palmares (parceria com dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra). Idéia de Dom Hélder Câmara, a missa é lançada pos-teriormente em disco e encenada em vários lugares do mundo, em especial na praça da Catedral de San Tiago de Compostela,  na Espanha, e no interior da Basílica de Nossa Senhora da Aparecida, no Brasil.

1984
Estréia no Carnegie Hall, em Nova Yorque, dois dias antes de Frank Sinatra. A procura é tanta que a apresentação do brasileiro se estende por mais uma noite. Também em 1984 faz o show de inauguração da Praça da Apoteose no Rio de Janeiro, com um público de mais de 80.000 pessoas.

No ano seguinte é nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes das Ciências e Letras pelo então presidente francês François Mitterrand.

1986
Lança o álbum “A Barca dos Amantes”, gravado ao vivo com Wayne Shorter, em São Paulo. Dá continuidade à parceria com Mercedes Sosa e Leon Gieco, gravando tam-bém ao vivo, na Argentina, o disco “Corazón Americano”.

Os anos seguintes são marcados por grandes turnês internacionais.

Em 1988 apresenta-se pela primeira vez no Japão. No mesmo ano é fundado o 1º fã clube de Milton Nascimento, em Tokyo, o “Fã Clube da Esquina”.

1990
Seu disco “Txai”, concebido a partir de uma viagem de mais de 18 dias de barco pelo Rio Juruá, no Estado do Acre até a divisa com o Peru, chega ao primeiro lugar da lista de World Music da Revista “Billboard”. Nessa viagem Milton se encontra com diversas tribos indígenas, seringuei-ros e outros habitantes da Floresta.

Milton Nascimento é por duas vezes escolhido como o “World Beat Artist of the Year” pela revista “DownBeat”. Em 1991 pela DownBeat Reader´s Pool e em 1992 pela DownBeat Critic´s Pool.

1993
Sai seu primeiro álbum pela Warner, “Ângelus”, considerado por ele o “Clube da Esquina Três”. O disco tem a participação de James Taylor, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Jon Anderson, Naná Vasconcelos, Ron Carter, Peter Gabriel, Pat Metheny, Gil Goldstein e Jack Dejohnette.

A gravação deste disco começa em estúdio montado numa fazenda em Esmeraldas, Minas Gerais, sendo concluída em Nova Yorque.

1995
Em 1995, grava no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o CD “Amigo”, acompanhado da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo e de dois corais infantis: os Curumins, de Belo Horizonte e os Rouxinóis, de Divinópolis.

Durante essa turnê Milton pensa em parar de cantar, mas graças ao sorriso de uma das crianças do coral desiste de abandonar a carreira.

O menino, chamado Mardey, é hoje seu filho adotivo.

Dedicado à Ayrton Senna, o projeto “Amigo” viaja por todo o mundo, tendo Milton se apresentado com as crianças em Nova Yorque na Brooklyn Academy of Music, acompanhado pela Filarmônica de Nova Yorque, no Festival de Montreux e em Londres, no Royal Albert Hall, com a Royal Philarmonic Orchestra of United Kingdom.

No ano seguinte, 1996, é premiado pela Rainforest Foundation por sua atuação em favor da ecologia e dos povos indígenas.

Em Londres Milton se apresenta com os Rouxinóis, os Curumins e com crianças de uma entidade beneficente inlgesa à pedido da princesa Diana.

1997
Depois de um longo tempo dedicado mais ao exterior que ao Brasil, volta às suas raízes, lançando o CD “Nascimento” e a turnê “Tambores de Minas”, com direção de Gabriel Villela.
Por mais de um ano viaja pelo Brasil com o espetáculo.

1998
“Nascimento” recebe o Grammy de Melhor Álbum de World Music do Ano.
Depois de um período dificil, com uma turbulência em sua saúde, causada por um Diabetes descompensado, Milton Nascimento se recupera e retoma o espetáculo Tambores de Minas, com direção de Gabriela Vilela, que havia estreado em julho de 1997.

O espetáculo viaja por todo o Brasil e posteriormente é lançado em DVD.
Na gravação do DVD, no Teatro João Caetano, Milton recebe a estatueta do Grammy de Melhor Disco de World Music, que o disco Nascimento havia recebido no ano anterior, das mãos do produtor do disco, Russ Titleman.

1999
No início de 1999 Milton é coroado Rei Congo na cidade de Divinópolis, Minas Gerais.
Nesse mesmo ano, lança o CD e a turnê “Crooner”, na qual, acompanhado de sua própria orquestra, promove bailes inesquecíveis no Brasil, América Latina e Europa.

2000
Em 21 de agosto é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Ouro Preto.

No mesmo ano recebeu a medalha de ouro da Sisac, no Chile, junto com o escritor José Saramago e o cineasta Fernando Trueba.

Ainda no mesmo ano recebe o Grammy Latino na categoria Melhor Disco Pop Contemporâneo Brasileiro com “Crooner”.
O álbum torna-se um grande sucesso de vendas, chegando ao disco de platina.

2001
Grava o CD “Gil e Milton”, em parceria com Gilberto Gil.
Viaja pelo mundo com a turnê do álbum e depois pelo Brasil, encerrando as apresentações com um show no teatro Rex, em Buenos Aires, Argentina.

2002
Comemora 30 anos do “Clube da Esquina” com uma série de shows.
Em um deles, em São Paulo, Maria Rita, filha de Elis Regina, sobe ao palco e canta “Roupa Nova”.

No final do ano Milton lança o CD “Pietá”, dedicado às mulheres da sua vida.

Cria ainda o selo Nascimento e desvincula-se da Warner.  Com o novo selo lança os DVDs “Tambores de Minas” e “A Sede do Peixe”, e o CD com as trilhas dos ballets “Maria Maria” e “Último Trem”.

2003
Estréia no Canecão, no Rio de Janeiro, a turnê Pietá, tal qual o disco, inspirado nas mulheres da sua vida, principalmente na mãe Lília, Ângela Maria e Elis Regina. Participam do show de estréia as cantoras Maria Rita, Marina Machado e Simone Guimarães, que haviam participado do disco.

O show Pietá é eleito pelo jornal “O Globo” como um dos três melhores do ano. Ainda em 2003 inicia a turnê internacional do show, apenas com Marina Machado.

2004
Lança o DVD “Ser Minas Tão Gerais”, em parceria com o grupo Ponto de Partida e os Meninos de Araçuaí.

“Tristesse”, do disco Pietá e em parceria com Telo Borges, vence o Grammy Latino na categoria de melhor canção brasileira.

2005
Leva o espetáculo “Ser Minas Tão Gerais” para duas apresentações na França, sendo uma delas no Teathre dês Champs Elyssés, onde se apresenta ainda com Lô Borges e Marina Machado.
No mesmo ano, na votação realizada pela revista Seleções de Marcas Confiáveis, vence na categoria Cantor, ao lado de Roberto Carlos.

“A Festa”, de Milton Nascimento, interpretada por Maria Rita, vence o Grammy Latino na categoria de melhor canção brasileira.

2006
Recebe a medalha de ouro da Academia de Artes, Ciências e Letras da França pelo conjunto de sua obra.

Encerra a turnê de “Pietá”, com o lançamento do DVD “Pietá”.
Recebe o prêmio da revista Seleções de Marcas Confiáveis na categoria cantor.

2007
Milton apresenta-se no mês de março em Santiago (Chile), com o Grupo Água, e na cidade de Zacateca (México).
Em maio, Milton faz uma série de dez shows no Japão.

Participa do festival Jazz a la Villet, em Paris, com os irmãos Stephane e Lionel Belmondo. O encontro é posteriormente registrado em estúdio para ser lançado no Brasil em 2009.
Pelo terceiro ano consecutivo, Milton Nascimento vence, dessa vez sozinho, na categoria cantor do Prêmio de Marcas Confiáveis da revista Seleções.

2008
Milton Nascimento lança o disco Novas Bossas com o Jobim Trio, formado por Paulo Braga (bateria), Daniel Jobim (piano), Paulo Jobim (violão) e Rodrio Villa (baixo). No repertório, Milton e o Jobim Trio fizeram  novos arranjos para músicas de Tom Jobim, Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes e Lô Borges.

Com o Novas Bossas, Milton realizou uma série de shows ao longo do ano.
Ainda neste ano, Milton também realizou shows com os irmãos do grupo Belmondo.

2009
Bituca grava o disco Milton Nascimento & Belmondo, que une o compositor/cantor brasileiro aos irmãos Lionel Belmondo (sax e flauta) e Stéphane Belmondo (trompete), ambos músicos conceituados no meio jazzístico de Paris. Com acompanhamento da Orchestre National d´Ile-de-France, sob a regência do maestro Christophe Mangou, Milton e os Belmondo rebobinam 10 grandes sucessos da lavra fina do autor de “Travessia”.

Milton e Belmondo também realizam uma série de shows em Lavandou, Marciac, Vence (França) e Oslo (Noruega)

Em novembro, Milton toca em Santiago (Chile), e faz apresentações nos EUA, passando por Los Angeles, Alexandria, Boston, Santa Cruz, São Francisco, e termina a turnê com uma apresentação no Carneggie Hall (New York).

2010
Maio – Participa de um ato a favor dos índios da Nação Guarani de Mato Grosso do Sul, no dia 15, em Campo Grande. É a primeira vez que um artista renomado mundialmente participa de uma causa junto com os Guarani, índios com o maior índice de pobreza do Brasil.

Novembro – Milton lança pela Nascimento Música o disco “E a gente Sonhando”, com a participação de jovens músicos de Três Pontas (MG)

Dezembro – Com o objetivo de realizar um grande ato à Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 10 de dezembro de 1948, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério da Cultura, organizou  um ato com 11 artistas para  prestar uma homenagem a Milton Nascimento. Participaram da homenagem realizada na Praça da Estação, no dia 12 de dezembro, Elba Ramalho, Elza Soares, Lenine, Chico Cesar, Arnaldo Antunes, Fernanda Takai, Lô Borges, Luiz Melodia, Pablo Milanés, Margareth Menezes e Sérgio Ricardo.

Projeto Portinari – É convidado a compor duas músicas para o espetáculo que aconteceu dia 21 de dezembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, para inaugurar a volta dos murais Guerra e Paz, de Candido Portinari ao Brasil.

Fonte – Site do Artista

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