Blitz

17 17+00:00 fevereiro 17+00:00 2013
Blitz

Janeiro de 1982, verão carioca. Uma lona começa a ser esticada sobre o pedaço de terra que separa Ipanema de Copacabana. À sua sombra toma forma um espaço multicultural e democrático que ficou conhecido como Circo Voador. Naquele palco praiano, que depois mudaria para a Lapa, no centro do Rio, nasceu a BLITZ.

Em julho de 1982 a BLITZ gravou o compacto “Você Não Soube Me Amar”, que só tinha essa música. No lado B do disco uma voz repetia “nada, nada, nada”. Em três meses o compacto vendeu 100 mil cópias e aquela canção diferente, meio cantada, meio falada, cheia de swing, gírias e de alegria virou febre.

Na primeira tiragem do primeiro disco da Blitz de 1982, vinha dentro do LP um HQ criado pela dupla de designers Luiz Stein e Gringo Cardia contando a história de “Você não soube me amar”, toda feita com colagens e participações discretas de Fantasma, Madrake, Mulher-Gato.

A BLITZ era inclassificável na melhor acepção do termo. E isso tinha muito a ver com a sua origem, o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone. De lá saiu Evandro Mesquita, o homem de frente do grupo, responsável por boa parte das letras deliciosamente coloquiais da banda. De lá saiu também Patrícia Travassos, que dirigiu os primeiros shows do grupo e imprimiu a eles a marca do espetáculo músico-teatral.

Evandro não só cantava, mas também dialogava com as garotas do backing vocal, a cantora Márcia Bulcão e a amiga dela, a bailarina Fernanda Abreu. Na cozinha musical, jovens talentosos como Billy Forghieri (teclados, ex–Gang 90), Ricardo Barreto (guitarra), Antonio Pedro (baixo, ex-Mutantes) e Lobão (bateria) garantiam som de primeira.

Os anos de ouro do grupo vão de 1982 a 1986. Nesse espaço de tempo a BLITZ lançou três discos, fez centenas de shows pelo país e pelo exterior, entre eles as antológicas apresentações no Rock in Rio I, e se dissolveu às vésperas da gravação do quatro LP.

Se a Blitz não é o pai das bandas de rock dos anos 80, ao menos ela inaugurou essa nova fase. Até então, a juventude estava órfã de ídolos brasileiros do rock.
Depois dela, surgiram várias – Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Titãs, Legião Urbana, entre outras, que formaram o movimento Rock Brasil, ou apenas BRock.

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